Bell revela o Invictus, a visão da empresa para o FARA-FVL

04-10-2019

Bell Invictus / imagem via Bell
Bell Invictus / imagem via Bell

O Bell-360 Invictus, projectado de forma a cumprir requisitos do Exército Americano para o Future Attack Reconnaissance Aircraft, como parte do Future Vertical Lift, é a mais recente revelação da americana Bell.

A americana Bell Aircraft Corporation, revelou finalmente o seu novo projecto de asa rotativa, projectado para cumprir, no caso até superar, os requisitos específicos do Exército norte-americano. O Bell-360 Invictus é o novo conceito da empresa para competir no projecto do Futuro Helicóptero de Reconhecimento e Ataque - FHRA (FARA-Future Attack Reconnaissance Aircraft), inserido por sua vez no programa de "Elevação Vertical do Futuro-EVF" (FVL-Future Vertical Lift) das Forças Armadas dos Estados Unidos.

Para além do Invictus, a Bell participa também com o seu V-280 Valor para suprir os requisitos de um "Futuro Helicóptero de Assalto de Longo Alcance" (LRAA - Long Range Assault Aircraft), também este inserido no programa FVL. Em comparação com o LRAA, a Bell manteve considerável sigilo quanto ao seu conceito para o FARA.

A Bell está absolutamente comprometida em disponibilizar a solução mais acessível, sustentável, eficiente e de menor risco e complexidade para o futuro helicóptero de assalto do Exército dos Estados Unidos" - Keith Flail, vice-presidente de sistemas avançados de elevação vertical da Bell

Bell-360 Invictus / via Bell
Bell-360 Invictus / via Bell

De acordo com a empresa, parte das tecnologias empregadas no 360, provêm de um helicóptero civil desta fabricante, o 525 Relentless. Embora o Invictus conte com um rotor principal de 4 pás, menos que as cinco empregadas no Relentless, uma das principais tecnologias derivadas do programa 525, são precisamente as lâminas do rotor de alta velocidade. Uma das razões para se ter recorrido a tecnologia já empregue numa aeronave existente, é que para além de diminuir riscos e complexidade, facilita o cumprimento da meta dos 333Km/h exigidos pelo Exército. O Relentless apresenta portanto inovações, aptas de serem incorporadas, que facilitaram esses requisitos.

O Bell-360, com um rotor principal de quatro pás, está desenhado com uma fuselagem que permite reduzir o arrasto e o transporte da aeronave por via aérea. Outra característica é a capacidade da futura aeronave de recorrer a uma potência adicional, alcançada por meio do sistema de tracção, a partir do auxílio de uma unidade de força suplementar. O motor que deverá equipar o Invictus ainda não está operacional, encontrando-se a ser desenvolvido como parte do "Programa de Optimização de Motor a Turbina" (ITEP-Improved Turbine Engine Program). 

O 360 Invictus deverá atingir velocidades entre os 333 e os 370 quilómetros por hora, por efeito da já referida "potência adicional", mas também de um estabilizador horizontal traseiro, assim como de umas asas de sustentação (visíveis com armamento acoplado em algumas das imagens). Graças também a um rotor de cauda inclinado, o Invictus conseguirá não só sustentar voos em alta velocidade, como também contará com vantagens em voo pairado, por via de uma elevação adicional a que a aeronave terá acesso por acção dos referidos métodos e tecnologias incorporados.

De maneira a zelar pela alta velocidade, sustentação, assim como em reduzir o arrasto nos perfis de voo pretendidos, o Bell-360 Invictus deverá contar com a capacidade de transportar parte da sua carga bélica internamente. O principal objectivo da equipa da Bell foi manter a menor resistência possível ao atrito e permitir que o helicóptero atingisse o máximo viável de velocidade, ao mesmo tempo em que se aplicaram para evitar a incrementação de tecnologias de alto risco.

Ao contrário da aeronave com que a Bell concorre para o "Futuro Helicóptero de Assalto de Longo Alcance", que está equipado com um sistema de missão a ser integrado pela Lockeed Martin, o novo Invictus deverá por sua vez ser apetrechado com um recheio da Collins Aerospace, empresa que já serve o Exército Americano e que também é integradora de sistemas em aeronaves actualmente em serviço.

Em Abril, o Exército norte-americano seleccionou 5 fabricantes para apresentarem os seus conceitos de um futuro helicóptero de ataque e reconhecimento. As empresas seleccionadas foram a AVX Aircraft em parceria com a L3 CIS, a Bell Helicopter, a Boeing com a Sikorsky da Lockheed Martin, e a Karem Aircraft, no entanto, apenas duas deverão passar para a fase de construção de um protótipo funcional.  

A AVX/L3 CIS apresentou o seu design na cúpula da Associação Americana de Aviação do Exército, na passada primavera. O conceito usa ventiladores de tecnologia composta e, alegadamente, cumpre 100% dos requisitos exigidos e 70% dos objectivos pretendidos.

A Karem anunciou que teria de se unir a Northrop e à Raytheon, mas os detalhes são escassos e não existe ainda pistas quanto ao design pretendido.

 Conceito da AVX/L3 CIS para um futuro helicóptero de ataque e reconhecimento
Conceito da AVX/L3 CIS para um futuro helicóptero de ataque e reconhecimento

Já a Sikorsky/Boeing, concorre no FARA com o seu S-97 Raider, desenvolvido a partir da aeronave que empenha no âmbito do "Futuro Helicóptero de Assalto de Longo Alcance", SB-1 Defiant. Ambas as aeronaves já contam com protótipos prontos, com o S-97 a alegadamente conseguir alcançar velocidades de 407 Km/h, um alcance bélico de mais de 500 quilómetros e com uma autonomia de duas horas e quarenta minutos. A parceira da Boeing com a Sikorsky é aliás a que parece, para já, levar particular vantagem, pois é a única com um protótipo em condições de voo para o Future Attack Reconnaissance Aircraft. 

S-97 Raider da Boeing/Sikorsky
S-97 Raider da Boeing/Sikorsky
O S-97 Raider já voa
O S-97 Raider já voa

No entanto, tal não é o fim do jogo para a Bell. O ramo terrestre americano pretende que os dois protótipos para o FARA estejam prontos e funcionais até 2023, dando por isso algum tempo à Bell, que afirma que o seu Invictus estará nos céus já em 2022, tornando a sua plataforma igualmente viável. Embora para já, a empresa apenas tenha mostrado impressões artísticas, já se sabe que a Bell planeia revelar, no próximo dia 14 de Outubro, uma maqueta da aeronave em escala real, a ser apresentada durante o evento anual da Associação do Exército dos EUA. 

Após escolhido qual o helicóptero a adquirir, o exército espera ver uma decisão de produção até 2028.

FARA

O objectivo do "Future Attack Reconnaissance Aircraft" é solucionar um vazio operacional deixado pela aposentação do Bell OH-58D Kiowa Warrior, vazio esse que actualmente é preenchido pelos AH-64E, de ataque, assim como de aeronaves Shadow não tripuladas. A entidade militar já tentou por três vezes preencher esta lacuna. Numa delas a Bell propôs um Kiowa actualizado, proposta essa que foi negada. 

A saída de serviço dos OH-58D Kiowa Warrior deixou um vazio operacional
A saída de serviço dos OH-58D Kiowa Warrior deixou um vazio operacional

As similaridades entre o Invictus e o programa falhado do Comanche

Uma das referidas tentativas também levou ao desenvolvimento do RAH-66 Comanche, da Boeing Helicopters-Sikorsky. 

O Comanche, curiosamente, é bastante similar ao Invictus agora apresentado pela Bell, no entanto, ao contrário deste último, o RAH-66 foi desenhado para ser furtivo, de difícil detecção, com baixa assinatura radar e sonora, a aeronave era também capaz de atingir velocidades de mais de 324Km/h, tinha um alcance bélico de 278 quilómetros e uma autonomia de duas horas e meia. O RAH-66 e o Bell-360, partilham de facto alguma identidade estética, mas tal ocorre para fins diferentes, o Comanche preza por ser furtivo, já o Invictus é assim desenhado para limitar o arrasto e zelar pelo máximo incremento de velocidade. O Bell-360 não é portanto "stealth", nem para isso foi desenhado, pese embora que deverá ter uma assinatura radar relativamente reduzida, contando por isso com uma natureza furtiva. 

O RAH-66 Comanche, da Boeing Helicopters
O RAH-66 Comanche, da Boeing Helicopters

O RAH-66 Comanche foi cancelado pelo Exército dos Estados Unidos, depois de gastos mais de 6,9 mil milhões de dólares no projecto. Dois protótipos foram construídos.

Future Vertical Lift

As Forças Armadas dos Estados Unidos da América emitiram, em 2008, um projecto intencionado a promover o desenvolvimento de novos conceitos de helicópteros opcionalmente tripulados, destinados a substituir, por completo, todos os modelos actualmente em operação pelas Forças Armadas.

Os novos helicópteros deverão ser capazes de realizar todas as missões actualmente desempenhadas e ainda providenciar maior mobilidade, velocidade e autonomia.

Nesse sentido, as empresas envolvidas deverão apresentar propostas para suprir as funções do UH-60 Black Hawk da Sikorsky, AH-64 Apache e CH-47 Chinook da Boeing, e OH-58 Kiowa da Bell.

Resumidamente, deverão ser escolhidos um ou mais conceitos, que poderão mais tarde ser fabricados ou não, para os papéis de "helis" ligeiros, médios-ligeiros, médios, pesados e "ultras".

  • Os helis ligeiros deverão desempenhar as missões do OH-58 Kiowa no reconhecimento táctico, ataque directo e funções utilitárias.
  • As aeronaves de porte médio-ligeiras deverão ser utilitárias, para transporte, evacuações, entre outras funções básicas.
  • O conceito ou conceitos apresentados para helicóptero médio deverão ser capazes de preencher as funções do UH-60 Black Hawk e AH-64 Apache.
  • Os pesados deverão substituir o também pesado Chinook nas funções de transporte.
  • E finalmente, os conceitos "Ultra", que pretendem o desenvolvimento de uma plataforma com capacidades idênticas a de uma aeronave de asa fixa de performances semelhantes a de um C-130 ou de um A-400M Atlas, mas capazes de se equiparar na aterragem e descolagem a uma aeronave de asa rotativa.

No total estima-se que o programa "Future Verical Lift" (FVL) resulte no desenvolvimento e construção de plataformas para a eventual substituição de 25 tipos diferentes de aeronaves movidas a rotor.

Bell-360 Invictus - Características

  • Função: Helicóptero Leve de Ataque e Reconhecimento
  • Fabricante: Bell Helicopters
  • Introdução: Por introduzir, primeiro voo em 2023
  • Custo Unitário: Desconhecido
  • Quantidade fabricada globalmente: 0
  • Comprimento: Incerto
  • Altura: Incerto
  • Diâmetro: 12,2 metros
  • Velocidade Máxima: Entre 333 e 370 Km/h
  • Alcance: 250Km de raio de combate, com 90 minutos sobre a área de operações
  • Autonomia Máxima: cerca de 2h30, estimadas.
  • Peso Vazio: desconhecido 
  • Peso Máximo na Descolagem: desconhecido
  • Carga Bélica: 635 quilos de armamento
  • Macas: não aplicável
  • Tecto Máximo: mais de 3000 metros, estimado
  • Tripulação: de 0 a 2 - opcionalmente tripulado/remotamente comandado/semi-autónomo em voo
  • Passageiros: Não aplicável
  • Combustível: ?
  • Entrada em serviço: Previsto para 2028, caso seja seleccionado

Conceito AVX/L3 CIS - Caracterísitcas

Sikorsky/Boeing S-97 Raider

  • Função: Helicóptero de Ataque e Reconhecimento
  • Fabricante: Boeing Helicopters-Sikorsky
  • Introdução: Primeiro voo a 22 de Maio de 2015
  • Custo Unitário: 
  • Quantidade fabricada globalmente: 1 protótipo
  • Comprimento: 11 metros
  • Altura: 
  • Diâmetro: 
  • Velocidade Máxima: 407 Km
  • Alcance: Alcance bélico de 570 quilómetros
  • Autonomia Máxima: 2h40m
  • Peso Vazio: 4 057 kg 
  • Peso Máximo na Descolagem: 4 990 kg 
  • Carga Bélica: cerca de 900kg
  • Macas: 2, número estimado
  • Tecto Máximo: 3048 metros
  • Passageiros: 6
  • Tripulação: 0 a 2 - opcionalmente tripulado/semi-autónomo/ remotamente tripulado
  • Combustível: ?
  • Entrada em serviço: 2028, caso seja escolhido

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