Cooperação militar entre Portugal e Angola será reforçada

31-05-2019

Operacionais Angolanos a bordo da fragata portuguesa NRP Bartolomeu Dias, em 2015
Operacionais Angolanos a bordo da fragata portuguesa NRP Bartolomeu Dias, em 2015

Ministro da Defesa Nacional disse hoje que a cooperação com Angola será reforçada, especialmente na área da formação militar.

Em declarações à agência Lusa, João Gomes Cravinho, Ministro da Defesa de Portugal, disse durante a 18ª reunião do Comité Bilateral da Defesa Luso-Angolana, que pode-se ser "mais ambiciosos" no respeitante a cooperação militar entre Portugal e Angola.

João Cravinho referiu os vários projectos de cooperação, que teve a oportunidade de assistir durante os últimos três dias em que visitou Luanda, nomeadamente o projecto Cabo Ledo (formação de forcas especiais), em que Portugal se encontra activamente envolvido. O ministro visitou ainda a Escola Superior de Estudos Militares e a Academia Naval, órgãos que têm beneficiado de forte apoio português no âmbito da Cooperação Militar entre Portugal e Angola.

"Oficiais portugueses estão envolvidos em todos esses projectos, pude testemunhar uma relação extraordinariamente positiva entre militares angolanos e portugueses" - Ministro da Defesa de Portugal, João Gomes Cravinho, em declarações à agência Lusa. 31 de Maio de 2019

Cravinho referiu a sua convicção, sustentada pelo seu homólogo angolano, Salviano de Jesus Sequeira, de que pode-se fazer muito mais, com mais ambição, e que a cooperação tem um impacto estratégico para ambos os países. No segundo semestre deste ano, a cooperação deverá ser reforçada, e para 2020 será ainda mais ambiciosa, disse João Gomes.

Exercício Felino será este ano em Angola

Angola deverá sediar este ano o exercício "Felino 2019 e 2018", a edição do ano passado deveria ter sido realizada em São Tomé e Príncipe, mas foi adiada. A primeira das duas acções deverá decorrer no município do Lobito, província de Benguela, e irão focar-se em "Operações de Apoio à Paz e de Ajuda Humanitária", que é aliás, o lema do exercício. 

A indicação foi dada no passado dia 08 de Maio ao Jornal de Angola, pelo Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas de Angola, Egídio de Sousa e Santos, no âmbito da Conferência Inicial de Planeamento dos "Exercícios Felino 2018/2019". Angola já tinha, em 2010, acolhido a acção "Felino".

"O facto de Angola acolher, pela segunda vez, a realização do exercício militar é motivo de satisfação e reforça a confiança já granjeada no seio da comunidade, no cumprimento das missões no quadro dos compromissos internacionais", - Egídio de Sousa e Santos, chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas de Angola, em declarações ao Jornal de Angola. 08 de Maio de 2019 

A localidade do município de Lobito onde decorrerá o exercício, na vila de Catumbela, foi escolhida por ter sido assolada recentemente por inundações, com muitas famílias a carecerem de ajuda humanitária. O exercício Felino irá envolver efectivos de Angola, Portugal, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné-Equatorial (aderiu a CPLP em 2014), Moçambique, Timor-Leste e São Tomé e Príncipe.

Militares das forças armadas angolanas
Militares das forças armadas angolanas

Egídio Santos falou também da experiência do país no acolhimento de refugiados de países vizinhos e da recente participação de Angola nas operações de ajuda humanitária ao povo de Moçambique, vítima do ciclone Idai, para onde o país movimentou um contingente de 111 efectivos e doou 40 toneladas de meios diversos. Angola disponibilizou ainda dois helicópteros na cidade da Beira, para atender às operações de busca e salvamento.

Portugal foi das primeiras forças externas, senão mesmo a primeira, a chegar a Moçambique no advento do ciclone Idai, tendo enviado não só militares, como também mobilizou equipas da GNR, Protecção Civil, equipas da empresa "Águas de Portugal", apoio logístico por meio de aeronaves C-130 e de diversas outras entidades. Angola, Índia, Portugal, Inglaterra, EUA, China e Rússia, terão sido mesmo os participantes de maior destaque no apoio a Moçambique. 

Destaque de Portugal na cooperação militar com Angola

No âmbito da "Cooperação Técnico Militar" da CPLP, militares portugueses apoiam a "organização, reestruturação e formação das Forças Armadas e respectivos militares". O GAE (Grupo de Acções Especiais) das Forças Armadas Angolanas é um bom exemplo do esforço português na capacitação militar de Angola, não se limitando no entanto só a este país, empenhando-se em praticamente todos os "Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa", nomeadamente Cabo Verde, Timor-Leste, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Moçambique.

O Grupo de Acções Especiais das Forças Armadas Angolanas foi criado, organizado e treinado com base na experiência da guerra civil angolana e na assessoria de "comandos" portugueses. As orientações portuguesas vão desde o treino, tipos de fardamentos, armas, equipamentos, a aspectos mais simples, mas igualmente importantes, como a alimentação que um militar deve ter, segundo relata o "OPERACIONAL.PT", de muito boa reputação, numa das suas reportagens publicadas em 2009.

Um dos aspectos que no período de instrução, muito desgastante fisicamente, é acautelado diz respeito à alimentação. Por motivos de raiz cultural e económica a alimentação das populações rurais - muito à base da mandioca - tem pouco a ver com o que seria necessário e que os comandos incentivam: mais carne, peixe e legumes. Hoje os hábitos estão a mudar mas sobretudo nos escalões mais baixos da hierarquia isso ainda não é fácil de entender.

Depois do estágio básico para integrar o GAE os seus elementos têm acesso a especializações diversas: armadilhas com explosivos, topografia - muito importante a deslocação à noite que ainda comporta dificuldades entre muitos devidos a crenças e superstições -, transmissões, operações com helicópteros - um meio de transporte que em Angola está sempre presente - infiltração aquática. - Citação de uma reportagem de 2009, do site Operacional.pt

O "multicam" (espécie) como esquema de camuflagem, representado na imagem, em Angola é usado apenas nos operacionais de forças especiais
O "multicam" (espécie) como esquema de camuflagem, representado na imagem, em Angola é usado apenas nos operacionais de forças especiais

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