Fim definitivo para os carros M-60, até então colocados na reserva

20-03-2020

M-60A3 TTS português Foto: Jorge Santiago/mediotejo.net
M-60A3 TTS português Foto: Jorge Santiago/mediotejo.net

Fora de serviço desde 2018, os carros de combate M-60 serão agora desmantelados.

Encontra-se activa uma licitação do Exército Português para o desmantelamento de cerca de 90 carros de combate M-60A3 TTS, formalmente desactivados em 2018. Nos anos 90, Portugal recebeu 93 destes tanques de origem americana, cedidos pelos aliados que agora os retiravam de serviço, com parte destes a participar inclusive na Guerra do Golfo (1990/91), sendo que pouco depois dessa comissão, foram desactivados e enviados para Portugal.

O processo de substituição deste equipamento começou em 2006, quando foi anunciado a segura aquisição do seu substituto. Neste ano, foi tomada a decisão de comprar 37 tanques de guerra, provenientes do Exército Holandês, que, em conformidade com a sua nova estratégia operacional, optou por desactivar um armamento altamente moderno, em prol do reforço de capacidades, na sua visão mais relevantes.

Tratava-se do Leopard-2A6, um veículo pesado, de 62 toneladas, com alta mobilidade e poder de fogo, que agora iria servir o Exército Português. Com este rápido, moderno e bem protegido tanque de guerra, armado com um potente, preciso e eficiente canhão L55 de 120mm, o ramo militar passou a contar com uma máquina de alta dissuasão, das mais modernas e capazes da sua classe.

O Leopard-2A6, com o seu L55, capaz de disparar munição perfurante e explosiva, é uma evolução da variante 2A5 do mesmo carro de combate, que embora idêntico, estava equipado com o canhão L44 mais curto, menos potente, mas de igual calibre. O L55 é 1,32 metros mais longo que o L44, providenciando assim aos seus usuários a capacidade de atingir alvos a uma maior distância, com excepcional letalidade. A blindagem de terceira geração, de múltiplas ligas de materiais compostos, também lhe confere uma protecção que o coloca como um dos equipamentos mais impenetráveis do seu tipo, sendo ainda compatível com "kits" de protecção adicional e com um leque crescente de contra-medidas disponível no mercado. A protecção é aliás um dos principais trunfos do Leopard, junto com a sua agilidade e poder de fogo, que o coloca num nível capaz de rivalizar com qualquer outro tanque em serviço no mundo, seja este o Lecrec francês ou o americano Abrams, ou outro qualquer. 

Os últimos disparos em Santa Margarida/foto:Jorge Santiago para mediotejo.net
Os últimos disparos em Santa Margarida/foto:Jorge Santiago para mediotejo.net

O Leopard 2A6 está portanto consideravelmente preparado para resistir a todo o tipo de novas ameaças de infantaria e de outros tanques de guerra, quer seja atingido pelos recentes RPG de ogiva dupla ou por armamento anti-carro. O equipamento adquirido aos holandeses foi recebido em perfeitas condições, tendo inclusivamente sido modernizado alguns anos antes, em 2001, sendo que a sua retirada foi resultado apenas das novas estratégias operacionais daquele país.

Também Portugal reavaliou a sua estratégia e prioridades, tendo tal ficado claro quando se optou por esta óbvia redução de carros de combate pesados. Substituir os cerca de 90 tanques M-60A3 por 37 Leopard´s, encaixou com a aposta em blindados de rodas em detrimento dos de lagartas, priorizando a velocidade e agilidade dos mesmos, que são inclusivamente mais adequados para as missões das Forças Armadas Portuguesas. 

Neste sentido, as capacidades do ramo terrestre foram entretanto reforçadas com novos blindados Pandur II de oito rodas, grande parte deles fabricados no país, em diversas versões. A recente aquisição dos novos VAMTAC ST5 de quatro rodas, assim como os actuais projectos de aquisição do exército, são também claros sinais desta postura. As Forças Armadas Portuguesas encontram-se aliás em claro sentido para se posicionarem como uma "grande" unidade de reacção rápida, constituída por um efectivo profissional e especializado, capaz de projectar uma resposta rápida, de diversas valências, ao abrigo das estratégias de defesa colectiva da União Europeia e OTAN, assim como do interesse nacional individual. Os três ramos militares portugueses devem-se portanto encaixar numa estratégia de força especializada e profissional, moderna, altamente capaz, de dimensões racionalizadas em prol da eficiência, não necessariamente condizente com grande número de recursos materiais e humanos, mas antes em conformidade com uma estratégia de força economicamente sustentável de manter, capaz de obter altos resultados operacionais.

Com a chegada do Leopard ao Grupo de Carros de Combate da Brigada Mecanizada, metade da totalidade do antigo equipamento foi desactivado e armazenado, tendo os restantes sofrido gradualmente o mesmo destino. Os últimos disparos do M-60A3 TTS foram realizados em Março de 2018, em Santa Margarida, na unidade que o operava.

É o fim definitivo deste equipamento, que relevante serviço prestou e que, até então, se encontrava colocado na reserva de guerra.

Artigo sujeito a edição...
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