GRUFLEX-20: Fuzileiros exercitam as capacidades anfíbias com a Armada de Espanha 

05-03-2020

A integração nas operações do país vizinho, permite aos fuzileiros portugueses a preservação da sua capacidade e natureza anfíbia. 

Uma força de 60 fuzileiros da Marinha Portuguesa, terminou hoje a sua participação no exercício da Armada Espanhola, GRUFLEX-20, que decorreu de 24 de Fevereiro a 5 de Março, nas áreas de exercício no Golfo de Cadiz e campo de treino da Sierra del Retin.

A integração nas operações do país vizinho, permite aos fuzileiros portugueses a edificação e manutenção das suas capacidades anfíbias, por meio da exercitação de manobras de projecção apenas possíveis de serem realizadas, na escala pretendida, com recurso a grandes navios de assalto anfíbio, como foi o caso no GRUFLEX, com os militares a operarem a partir da embarcação espanhola SPS Galicia.

SPS Galicia / imagem meramente ilustrativa
SPS Galicia / imagem meramente ilustrativa

Os exercícios da serie GRUFLEX têm como finalidade o adestramento periódico da capacidade anfíbia da Armada Espanhola a fim de também esta manter a adequada proficiência e capacidade para conduzir operações anfíbias, num contexto de resposta a crises, incluindo operações de ajuda humanitária. A ausência de meios em Portugal, não permite a correcta manutenção, de forma autónoma, da referida capacidade de projecção de mar para terra, que aliás representa uma das principais características do "fuzileiro". 

A colaboração com a Armada Espanhola, e em particular com a Infantería de Marina, tem permitido aos Fuzileiros a manutenção dos exigentes padrões de prontidão operacional para a condução de operações anfíbias em todo o seu espectro, reforçando a interoperabilidade e preparando-se para o emprego combinado em ações militares no âmbito da defesa coletiva e da segurança cooperativa, de que é exemplo a integração de uma força de fuzileiros no European Union Amphibious Battlegroup (em conjunto com Espanha, Itália e Grécia) no segundo semestre de 2020. - Publicação da página oficial da Marinha Portuguesa no facebook

Este tipo de colaboração, para além de reforçar e cimentar a interoperabilidade entre aliados, de "permitir a manutenção dos exigentes padrões de prontidão operacional para a condução de operações anfíbias em todo o seu espectro", e de preparar os militares, de ambos os países, "para acções militares combinadas no âmbito da defesa colectiva e da segurança cooperativa", também se apresenta como uma forma de facilitar, no segundo semestre de 2020, a integração de uma força de fuzileiros portugueses no European Union Amphibious Battlegroup, que é o "Grupo de Batalha Anfíbio da União Europeia", a ser edificado em conjunto com operacionais da Espanha, Itália e Grécia.

Portugal chegou a estudar a aquisição, em segunda mão, do navio polivalente logístico "Siroco", mostrado na imagem / Foto ilustrativa
Portugal chegou a estudar a aquisição, em segunda mão, do navio polivalente logístico "Siroco", mostrado na imagem / Foto ilustrativa

Portugal chegou a estudar a aquisição, em segunda mão, do navio polivalente logístico "Siroco", na altura em serviço na Marinha Francesa, mas a hipótese foi posta de lado em 2015, depois que análises ao navio o revelaram como sendo inviável para as necessidades portuguesas, com limitações, por exemplo, na capacidade de operar , de forma segura e praticável, os EH/AW-101 Merlin, da Força Aérea. A referida embarcação viria a ser adquirida por pouco mais de 80 milhões de euros, para a Marinha do Brasil, onde passou a ser denominado de NDM Bahia.

Actualmente, inserido na presente Lei de Programação Militar, encontram-se alocados 150 milhões de euros para a obtenção de um Navio Polivalente Logístico (NPL), apto a projectar força com recurso a embarcações de desembarque e aeronaves de asa rotativa. O Ministro da Defesa já admitiu que a embarcação poderá ser em segunda mão, mas também revelou que a preferência seria por um navio novo, de preferência até construído em Portugal.

O futuro NPL também irá permitir que a Marinha consiga responder, de forma mais eficiente, a catástrofes naturais e humanitárias, aptas de ocorrer tanto em território nacional como estrangeiro. Aquando das enchentes na Madeira, o Ramo acorreu com recurso às suas fragatas, que, inadequadas para a função, cumpriram a missão de forma limitada.


artigo sujeito a edição...

As imagens, salvo quando identificadas em contráriosão do exercício e foram publicadas publicamente pela Marinha Portuguesa. 


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