Glock 17, a nova pistola do Exército Português

15-09-2019

O Exército Português terá seleccionado a Glock 17 para substituir as velhas Walther P38, adoptadas em 1961.

O Exército Português vai, de acordo com o Correio da Manhã, substituir as velhas pistolas de desenho alemão Walther P38/M961, de 1939, adoptadas por Portugal em 1961. De acordo com este jornal, o contrato, de cerca de um milhão de euros, prevê a compra de cerca de 3.000 pistolas austríacas Glock-17 de 5ª geração, a última variante do referido modelo 17.

O processo, iniciado em 2018 por meio da NSPA, iniciais para Nato Support Procurement Agency, ou em português, Agência de Suporte de Compras da OTAN, veio depois de um outro concurso, com origens que remontam a 2015, ter sido cancelado três anos depois do seu início.

Em 2015, o exército encetou, junto da NSPA, o concurso de selecção de uma nova pistola, mas em Julho de 2018 a agência encarregada da NATO anunciava a sua suspensão. Em Agosto desse ano, o Diário de Notícias informava que tal se deu a divergências com o Exército Português.

Militar da "Quick Reaction Force" portuguesa no Iraque, a fazer uso da Walther / Exército Português
Militar da "Quick Reaction Force" portuguesa no Iraque, a fazer uso da Walther / Exército Português

O ramo terrestre terá "esgotado a paciência dos técnicos" da NATO/OTAN, depois de ter "recusado duas propostas da agência" de compras da aliança para aquisição da nova pistola de 9mm. Os desentendimentos entre os dois lados terão começado quando o Exército indicou não aprovar as especificações técnicas do produto italiano que tinha sido seleccionado, da fabricante Beretta.

(...) "do conjunto das propostas a concurso, as que foram apreciadas no âmbito das regras da NSPA, nenhuma cumpria integralmente todos os requisitos e especificações técnicas exigidas pelo Exército, nomeadamente, serem modelos standard em uso noutros Exércitos aliados". - Fonte oficial do gabinete do chefe do Estado-Maior do Exército, em declarações ao Diário de Notícias em 2018

Terá sido este o motivo para a instituição militar entender que a melhor opção era optar pela alternativa da NSPA, entretanto sugerida, de dar começo a novo processo.

Revendo-se o caderno de encargos, aumentou-se a possibilidade de se apresentarem a concurso mais propostas de fornecimento de pistolas modelo "standard", em uso em outros exércitos, garantindo assim que ficassem dentro dos requisitos do Exército Português, e que se constituíam, de facto, propostas economicamente mais vantajosas do que aquelas que se tinham qualificado no primeiro concurso.

"Soldado do Futuro" - Exército publicita no seu site parte do novo equipamento que deverá equipar os seus efectivos
"Soldado do Futuro" - Exército publicita no seu site parte do novo equipamento que deverá equipar os seus efectivos

A NSPA apresenta-se como facilitadora das actividades de apoio logístico e de aquisições militares dentro da Organização Atlântica, fornecendo soluções integradas de apoio entre usuários de sistemas. Os seus três principais pilares são: Suporte a Operações e Exercícios; Gestão do Ciclo de Vida (incluindo a aquisição em larga escala) e Serviços.

A agência geriu, a título de exemplo, a compra da nova arma ligeira, a belga FN SCAR, substituta da G3, assim como das restantes plataformas complementares da mesma marca, nomeadamente lança-granadas e metralhadoras. A entidade tem estado cada vez mais envolvida em processos de aquisição junto dos membros da aliança, posicionando-se até ao momento como uma mais valia.

A nova Glock

A pistola austríaca não é necessariamente nova em Portugal, sendo já usada por exemplo, mas não exclusivamente, pelos Fuzileiros da Marinha, assim como por agentes da Polícia de Segurança Pública e militares da Guarda Nacional Republicana.

O Exército Português conta, com pelo menos, cinco tipos diferentes de pistolas, tais como algumas unidades das alemãs HK USP Standard 9x19mm e Compact 9x19mm, assim como HK´s P30 9x19mm, mas também pistolas P228 da Sig-Sauer, igualmente alemãs e de 9mm. A Walther é no entanto a mais numerosa e, por isso, a que mais efectivos e unidades equipa. As Pistolas mais modernas estão, ao que se pode presumir, apenas nas mãos de unidades com características operacionais especiais, como por exemplo as Forças Especiais do Exército.

A Glock-17 é uma pistola 9mm, semi-automática de culatra fechada, operada com recuo curto, que usa uma adaptação do sistema "came", de travagem, da pistola Hi-Power da Browning. O mecanismo de travamento da arma de fogo usa um cano sem ligação, verticalmente inclinado, com uma culatra rectangular que trava na abertura da porta de ejecção. Durante o "coice" do recuo, o cano move-se para trás, até a bala deixar o cano e a pressão da câmara estabilizar para níveis normais.

Uma extensão na base do cano interage com um "bloco" de travamento, forçando o cano para baixo e destravando-o. Essa acção interrompe o movimento do cano enquanto o "slide" continua de volta perante o recuo, extraindo e ejectando o cartucho gasto.

ultima actualização a 12/10/19 (são 3000 pistolas, não 5000, como inicialmente publicado)

Portugal Defense News ...and global

Arma da FN Herstal ganhou o concurso para substituir as espingardas G3 do Exército português. De fora ficou a alemã HK 416A5, que até já é usada por tropas especiais portuguesas. 

A FN SCAR, espingarda de assalto automática produzida pela belga FN Herstal, foi a escolhida para substituir a velhinha G3 no Exército Português, há mais de 50 anos no activo. A escolha foi da NSPA, agência especializada da NATO na realização de concursos para compra de material de guerra, que anunciou o negócio no dia 21 de Fevereiro.

A nova arma vem no calibre standard da NATO 5.56mm, enquanto a G3 tinha um calibre 7.62mm. O concurso inclui espingardas automáticas não só de 5.56mm (...)

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