Turquia vs Curdos, "Operação Garra" em marcha

30-05-2019

Os Leopard-2A4 são extensivamente utilizados pelo Exército Turco
Os Leopard-2A4 são extensivamente utilizados pelo Exército Turco

Disparos de artilharia e ataques aéreos iniciam a mais recente campanha militar turca no norte do Iraque. Forças terrestres já progridem no terreno mas com duas baixas contabilizadas.

De acordo com o Ministério da Defesa da Turquia, as forças armadas estão desde dia 27, envolvidas numa investida militar contra forças terroristas localizadas no norte do Iraque. Disparos de Artilharia e ataques aéreos foram seguidos de uma investida terrestres por volta das 20h00 (horário turco).

A operação tem como propósito a eliminação de posições do PKK, organização marxista, que luta desde 1984 por um Estado Autónomo no sudeste turco. Criada em 1974 por Abdullah Ocalan, tornou-se rapidamente reconhecida pelos seus sangrentos e violentos ataques a membros de grupos rivais e dirigentes locais que fossem a favor do governo turco.

Fronteira entre Turquia e Iraque (capital Bagdade)
Fronteira entre Turquia e Iraque (capital Bagdade)

O PKK, inicia nos anos 80, os seus primeiros ataques contra o Exército turco que, em retaliação desencadeia uma vasta operação contra zonas curdas, levando milhares de civis a abandonarem as suas aldeias. Cerca de 37 mil pessoas, entre civis, militares e rebeldes, morreram nos 15 anos da rebelião.

Durante anos limitado a acções no sudeste montanhoso, o PKK começa a levar a cabo operações de guerrilha urbana nos anos 90, tendo como alvo preferencial hotéis e zonas turísticas. Em 1993 e 1995 entra para a lista de organizações terroristas dos Estados Unidos e da União Europeia, após ter executado ataques por toda a Europa, atingindo representações diplomáticas e pontos de interesse turco no exterior.

Abdullah Ocalan é capturado no Quénia em 1999, levando ao enfraquecimento da organização e à fuga de muitos membros para o Curdistão Iraquiano, região internacionalmente protegida e onde o líder iraquiano, Saddam Hussein, ia aos poucos perdendo controlo.

Os bem reconhecidos helicópteros "Atak", de fabrico turco, são extensivamente usados pelo comando militar de Ancara
Os bem reconhecidos helicópteros "Atak", de fabrico turco, são extensivamente usados pelo comando militar de Ancara

Abdullah é condenado à morte mas a pena é rectificada para prisão perpétua depois da Turquia decretar, em 2002, o fim da pena de morte no país. Ocalan chega mesmo a pronunciar-se a favor do fim da luta armada e pede que o grupo trabalhe pelas suas reivindicações unicamente no espectro político. 

A mensagem do líder é acolhida pela organização que, nos congressos de 2000 e 2002, se compromete a defender os direitos da minoria curda por meios não violentos, anunciando uma trégua unilateral, embora recuse sempre desarmar-se e a renunciar ao direito de "auto-defesa".

Carros de combate M-60 do Exército Turco
Carros de combate M-60 do Exército Turco

Em 2004 a situação muda de figura, com a ala mais radical a tomar controlo da organização e a anunciar o fim do cessar-fogo. Dezenas de bombas explodem na região Oeste do país durante os anos seguintes, com particular incidência em Istambul, cidades costeiras e não só, provocando centenas de mortos, entre eles vários estrangeiros. Operações de grande envergadura são retomadas em 2007 e as investidas turcas contra o PKK têm sido recorrentes desde então, não só no Iraque, como também na Síria.

A operação está a decorrer como planeado, com o apoio de helicópteros de ataque "ATAK", eles (forças turcas) tentam destruir abrigos e cavernas usadas como refúgio pelo grupo armado, neutralizando terroristas na área de Hakurk". -Ministério da Defesa Nacional turco.

Dois soldados morreram na mais recente intervenção militar da Turquia, denominada de "Operação Garra", depois de terem sido feridos numa explosão de engenho improvisado que tinha sido ocultado previamente por terroristas do PKK.

Ultimas revelações do Ministério da Defesa contabilizam, pelo menos, 19 baixas inimigas.

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