Paraquedistas regressam a cidade centro-africana palco de violentos confrontos em 2018 e 2019

28-02-2020

Operacionais portugueses a instantes de serem projectados por via aérea / foto: EMGFA
Operacionais portugueses a instantes de serem projectados por via aérea / foto: EMGFA

"Ao tomar conhecimento da presença dos militares portugueses, o líder do UPC aceitou cessar as hostilidades e sentar-se à mesa com os representantes da Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas."

by EMGFA

Os Paraquedistas do Exército Português, ao serviço das Nações Unidas na República Centro-Africana, foram projetados, no período de 27 de janeiro a 11 de fevereiro, para uma nova operação de paz, na cidade de Bambari, região na qual, em 2018 e 2019, outras forças portuguesas já se haviam visto envolvidas em violentos confrontos com grupos armados.​

Mais de um ano após estes intensos combates contra elementos do grupo armado ex-Seleka UPC (União para a paz na República Centro-Africana), os militares portugueses voltaram a esta cidade, no cumprimento de ordens emanadas pelo Comando daquela operação de "capacetes azuis", com a missão de proteger a população contra a postura ofensiva deste grupo.

Em manifesto incumprimento com o estipulado nos Acordos de Paz assinados em fevereiro do ano passado, em Bangui, entre o Governo da República Centro-Africana e os grupos armados, o UPC estava a colocar em causa a segurança da população civil, a cobrar impostos ilegais e a limitar a liberdade de movimentos da população.

Imagem captada por um drone do exército mostra rebeldes a prepararem-se para a chegada da QRF portuguesa / foto: EMGFA
Imagem captada por um drone do exército mostra rebeldes a prepararem-se para a chegada da QRF portuguesa / foto: EMGFA

A projeção por via terrestre implicou um movimento de cerca de 400 Km que, por força das condições do terreno, se traduziu num deslocamento de dois dias. Após a chegada a Bambari, os militares portugueses prepararam-se para realizar uma operação na área onde o grupo armado estava a conduzir as suas atividades criminais.

Ao tomar conhecimento da presença dos militares portugueses, o líder do UPC aceitou cessar as hostilidades e sentar-se à mesa com os representantes da Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a estabilização da República Centro-Africana (MINUSCA) e do Governo local, demonstrando intenção de negociar e aceitar as exigências das Nações Unidas.

Por forma a garantir o cumprimento dos acordos assinados, foram realizadas patrulhas pelos Paraquedistas da Brigada de Reação Rápida do Exército Português, apoiados pelos Controladores Aéreos Avançados da Força Aérea Portuguesa.

Paraquedistas portugueses operam um drone Raven / foto: EMGFA
Paraquedistas portugueses operam um drone Raven / foto: EMGFA

Reconhecida pelas lideranças da MINUSCA e daquele estado centro-africano, a capacidade dissuasora da presença portuguesa na região tem um efeito inegável no comportamento dos grupos armados, levando-os a trocar os confrontos pela mesa das negociações. A presença portuguesa na região é, assim, considerada um fator fundamental para pressionar os líderes dos grupos armados a aceitarem negociar e cumprir as exigências da MINUSCA e do Governo da República Centro-Africana, no cumprimento do tratado de paz.

É de destacar que, a chegada da Força Portuguesa à cidade de Bambari, foi efusivamente saudada pela população local, que vê os militares portugueses como uma fonte de confiança, segurança e esperança.

A 6ª Força Nacional Destacada neste teatro de operações é composta por 180 militares, maioritariamente tropas especiais Paraquedistas do Exército Português, integrando ainda militares de outras unidades do Exército e Controladores Aéreos Avançados da Força Aérea.

Humvee 1151A1 do Exército Português / foto: EMGFA
Humvee 1151A1 do Exército Português / foto: EMGFA

Portugal contribui para o esforço internacional de manutenção da paz na República Centro-Africana, deste o início de 2017, com uma força de infantaria ligeira do Exército, a operar, a partir da capital Bangui, como Força de Reação Rápida (Quick Reaction Force - QRF) da MINUSCA.

Fonte: EMGFA

Imagens: Extraídas de vídeo divulgado pelo EMGFA 

artigo não editado

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