Portugal vai reforçar presença militar no Mali

19-01-2020

Elementos da Força Aérea desembarcam de um C295 no Mali, em 2015, para fazer a segurança do aparelho / FAP
Elementos da Força Aérea desembarcam de um C295 no Mali, em 2015, para fazer a segurança do aparelho / FAP

Portugal vai reforçar presença no Mali com um meio aéreo e mais 70 militares. 

O ministro da defesa, João Gomes Cravinho, revelou, na passada sexta-feira, o reforço do contingente português na missão da ONU no Mali, com mais cerca de 70 militares e uma aeronave C-295. Esta ampliação de presença, que é "um reforço temporário" nas palavras do ministro, deverá ter início a partir de Maio e durará até Outubro, podendo-se traduzir em posterior aumento ou manutenção da participação caso faça "sentido reforçar" a "presença no Sahel".

Desde 2013 que Portugal está empenhado numa missão da União Europeia, que consiste na formação e aconselhamento das forças locais, assim como numa missão da ONU, para a qual já não é a primeira vez que desdobra meios aéreos, nomeadamente em 2017, altura em a Força Aérea Portuguesa ali empenhou um C-130 e 66 militares. Portugal tem neste momento 19 operacionais no Mali, 17 dos quais na missão de Treino da União Europeia e dois na missão integrada das Nações Unidas (MINUSMA) de estabilização do país.


"Região do Sahel"
"Região do Sahel"

A região norte daquele país africano ficou sob o controlo de grupos terroristas em 2012, tendo sido necessária uma intervenção militar internacional em Janeiro de 2013, liderada pela França, que culminou com a recuperação de grande parte do território, havendo no entanto ainda zonas que escapam ao controlo das forças militares estrangeiras e locais. O Mali e os países vizinhos estão numa situação de deterioração da segurança que assusta a comunidade internacional.

Associado à violência criminosa e entre comunidades, também alimentada pela proliferação do tráfico, os jihadistas têm aumentando os ataques mortais nos últimos meses, resultando, apenas no ano de 2019, em mais de 4000 mortes no Mali, Burkina Fasso e Níger. No passado dia 13, o Presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou o envio de mais 220 soldados para o Sahel para fortalecer a "força militar francesa de combate ao terrorismo jihadista" na região, mas no mesmo dia, os Estados Unidos da América (EUA) admitiram reduzir a sua presença militar em África, o que pode colocar em risco os esforços feitos pelos europeus.

C-295M /FAP
C-295M /FAP

"A partir de maio a outubro [de 2020] teremos mais cerca de 70 portugueses da Força Aérea, que estarão lá [no Mali] com a aeronave C-295 que é muito competente para a recolha de informações, equipada de muitos sensores que permite desenvolver uma visão integrada e completa num espaço imenso" (...) "É absolutamente fundamental estarmos presentes no Sahel. Não podemos deixar que a degradação da situação securitária no Sahel continue porque o resultado terá um impacto na Europa. Seria uma irresponsabilidade virarmos costas" (...) -Ministro da Defesa, João Gomes Cravinho, em declarações à Agência Lusa na passada sexta-feira

O C-295 é um avião de natureza táctica, desenhado e construído para transporte militar de médio e curto alcance, cujas características e modularidade lhe permitem o cumprimento das mais diversas tarefas, tais como o transporte geral e táctico, vigilância, reconhecimento, busca e salvamento e apoio logístico. Portugal conta com 12 aparelhos, operados pela esquadra 502 "Elefantes a partir da Base Aérea nº6, no Montijo. 

O C-295M da Esquadra 502 em operação no Mali
O C-295M da Esquadra 502 em operação no Mali

Cinco aeronaves estão especialmente configuradas para missões de vigilância, contando para isso com equipamentos e sensores, como o radar SLAR (Side Looking Infrared Radar) da Ericsson, radar Elta EL/M-2022A(V)3 e sensores ópticos FLIR Star Saphire HD, que os diferenciam dos restantes sete aparelhos. Aliado à sua capacidade de enviar e receber dados de missão em tempo real, o C-295 apresenta-se assim como um relevante meio de vigilância e monitorização no teatro de operações, sem que para isso abdique da sua capacidade de transporte. A sua modularidade permite que sejam retiradas as consolas que operam o conjunto de computadores, que constituem o FITS (Fully Integrated Tactical System ou Sistema Táctico Integrado), que "fundem" os dados recolhidos pelos sensores referidos, liberando assim espaço que possa eventualmente ser necessário para o cumprimento de outras missões. A fabricante Airbus denomina esta versão de C-295M "Persuader".

O Airbus-CASA C-295M ao serviço da Força Aérea Portuguesa, é uma aeronave moderna, com os mais recentes equipamentos de Navegação, Comunicação, Vigilância, Fotografia, Reconhecimento, Combate à Poluição Marítima e até mesmo de Guerra Electrónica. O avião integra a mais recente tecnologia existente do mundo aeronáutico, com rádios V/UHF & HF, tecnologia Glass Cockpit, avisadores de proximidade de tráfego aéreo e terreno, comunicações por satélite, 406 Mhz "Emergency Locator Beacon", piloto automático, sistema de posicionamento integrado (inercial e GPS), ILS CAT II e gravadores digitais de dados e voz. A sua capacidade de operar em Teatros de Conflito está sustentada em equipamentos de comunicações "seguras", agilidade de frequência (V/UHF), radar táctico, sistemas de detecção de iluminação radar e de proximidade de mísseis, lançamento de "Chaff & Flares", POD de "Jamming" electrónico, iluminação interior e exterior compatível com NVG ("Night Vision Goggles") e "Armour Cockpit".

As capacidades de guerra electrónica, os seus equipamentos e tácticas, garantem a operação segura da aeronave em ambientes semi-permissivos nos teatros de operações com um espectro-electromagnético hostil. Com esta capacidade é possível destacar tropas e carga em segurança, graças às capacidades de auto-protecção física e electromagnética instaladas na aeronave. 


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