S400: Depois da Turquia, EUA querem sancionar a Índia

20-01-2020

S-400 "Triumf"
S-400 "Triumf"

A América de Trump adoptou uma posição extremista contra qualquer um que tente aproximação com Moscovo. 

Os Estados Unidos estão a ameaçar a Índia com sanções, caso opte por adquirir o sistema anti-aéreo russo S-400 "Triumf" ao invés do americano "Patriot", tal como está em pleno processo de fazer com a Turquia. A Turquia foi vítima de punições de Washington quando também esta decidiu que iria equipar as suas forças com o "Triumf", equipamento que acabaria por receber entre Maio e Junho de 2019.

O castigo mais severo, ou pelo menos mais noticiado, aplicado a Ancara, foi a expulsão do país do programa JSF (Joint Strike Fighter), que previa a inclusão da indústria turca na fabricação de componentes para o caça multi-função F-35. A Turquia não só fica vetada de participar no fabrico, como também fica agora impedida de equipar o seu ramo aéreo com estas aeronaves, o que acarreta sérias implicações económicas, industrias e operacionais.

F-35 Lightning II
F-35 Lightning II

Ancara terá investido considerável quantia monetária para incluir empresas no consórcio, que agora ficarão com um vazio a preencher nas suas linhas de produção. De igual forma, a Força Aérea da Turquia vê agora uma bolha operacional nos seus planos para o futuro. Erdogan, o líder turco, estará a edificar parcerias com os russos com o intuito de arranjar alternativas em meio ao súbito descarrilamento de relações com a América de Trump, que tem adoptado uma posição extremista por meio da política deste, aprovada em 2017, denominada de  "Countering America's Adversaries Through Sanctions Act" (CAATSA) ou, em português, "Confrontando os adversários da América através do Acto de Sanções".

A Turquia, detentora do segundo maior exército da Organização do Tratado Atlântico Norte (OTAN), está agora em meios de decidir se opta, como resposta, pela cessação das operações americanas nas bases aéreas de Incirlik e Kurecik, localizadas naquele país. Parte das medidas alternativas de Ancara, passam também por tentar adquirir mais um lote de sistemas S-400, visto que os "Patriot", que a Turquia iria adquirir, mesmo comprando o "Triumf", estão também vetados para aquele país. O novo caça russo SU-57 foi também analisado como possível solução para satisfazer a carência operacional da ausência dos pretendidos 100 caças F-35 Lightning II, que Ancara pretendia receber. No entanto, fala-se também da possibilidade do país desenvolver o seu próprio aparelho furtivo, de 5ª geração, a mesma que os caças citados.

O Su-57 russo pode ser uma alternativa ao americano F-35
O Su-57 russo pode ser uma alternativa ao americano F-35

É também à boleia do CAATSA, que Washington pretende agora edificar uma abordagem para a questão indiana. O Departamento de Estado dos Estados Unidos emitiu um aviso a Nova Deli, para que reconsiderem a compra do sistema russo sob pena de sanções, com um alto funcionário do referido departamento a afirmar que a Índia não usufrui de nenhuma "protecção especial" e que, por isso, está sujeita a riscos.

O país asiático sempre adquiriu armamento de múltiplas origens e como seria de esperar, pretende continuar a fazê-lo em ordem não só a garantir uma continuidade logística em caso de conflito, como em deixar claro o seu direito a decisões soberanas. Subrahmanyam Jaishankar, ministro das Relações Exteriores disse que "quando o assunto é segurança e defesa nacional" a Índia "não será influenciada por outros países". Portanto, é razoável concluir que Nova Deli irá de facto adquirir o S-400, equipamento cuja origem é aliás a mesma que grande parte dos sistemas em uso pelas suas forças armadas.

Contra-procedente

O CAATSA tem sido em tudo ilógico, irracional e contra-procedente. Tal como a Turquia que rapidamente se distanciou das "políticas Trump", a Índia irá com certeza fazer o mesmo. O afastamento de países como estes, prejudica, a longo e médio prazo, mais os Estados Unidos do que os países alvo das suas sanções. 

Assim que Washington tomou a actual abordagem, rapidamente perdeu o controlo dos turcos, cujas intervenções na Síria têm sido amplamente noticiadas, nomeadamente a operação que visou, aos olhos de Ancara, "corrigir a situação demográfica na região norte" do seu vizinho do sul. Vendas de armas para aquele que é um dos maiores clientes dessa mercadoria, ficam também agora, com grande certeza, inacessíveis para as empresas americanas.

F-21 da Lockheed Martin, uma variante do F-16 especialmente desenhada para aquele país
F-21 da Lockheed Martin, uma variante do F-16 especialmente desenhada para aquele país

Grande cliente é também a Índia, onde o F-21 da Lockheed Martin, uma variante do F-16 especialmente desenhada para aquele país, fica em claro risco de nem sequer chegar à fase de competição do programa que visa equipar as Forças Armadas com mais aviões novos. 

Nova Deli está numa posição complicada do ponto de vista "táctico-geográfico" e "geopolítico", se por um lado sempre olhou com desconfiança para o seu maior rival regional (a China), a Índia também sempre odiou o Paquistão, que por sua vez já gerava desconfiança nas relações com os americanos, que armam o último país referido, pese embora sejam aliados bem menos estáveis. Lembremos-nos simplesmente de onde estava Osama Bin-Ladin quando foi encontrado e morto.

Sukhoi Su-35
Sukhoi Su-35

O facto dos EUA equiparem os paquistaneses, sempre impediu relações excelentes, mas existiam ralações boas entre Washington e Nova Deli, que estavam inclusive a caminhar para melhor. Impedir países de exercerem a sua soberana liberdade em assuntos de extrema relevância, como é o caso da Segurança Nacional, tem o potencial de afastar não só "aliados ocasionais", como também aliados próximos, inclusive europeus, cujas indústrias de defesa terão forte argumento quando o assunto for quem deve equipar as forças armadas do velho continente. 

Em Novembro, foi a vez do Egipto afirmar que "não irá ceder" ao comportamento "sem sentido" americano, depois de Mike Pompeo, Secretário de Estado dos EUA, ter feito chegar mensagem a Cairo de que a compra de 20 caças russos Sukhoi Su-35 culminaria em eventuais sanções de Washington. No caso egípcio, o país sempre foi cliente regular de múltiplos fornecedores militares, tanto russos, como europeus e americanos.


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