Vídeos e Imagens: Militares continuam envolvidos em combates na RCA

10-10-2019

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Militares Portugueses envolvidos em mais confrontos com grupos armados na República Centro Africana. Trata-se da 6ª Força Nacional Destacada para aquele teatro e, tal como as anteriores, não escapa aos combates.

A 6ª Força Nacional Destacada na República Centro Africana (RCA), actualmente constituída na sua maioria por para-quedistas, foi projectada, no período de 23 a 30 de Setembro, para proteger a população da povoação de Bocaranga, noroeste da RCA.

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Portugal, desde 2017, constitui a "Força de Reacção Imediata (Quick Reaction Force - QRF) da Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a estabilização da República Centro-Africana (MINUSCA)", destacando forças de Comandos e Pára-quedistas (não se limitando só a estas unidades) de forma alternada, contribuindo decisivamente para o cumprimento da missão, tendo inclusive obtido elevado reconhecimento internacional pela efectividade dos militares nacionais quando confrontados com grupos armados.

Contrariando o estipulado nos Acordos de Paz assinados em Fevereiro (alcançado muito graças às operações levadas a cabo por comandos e paraquedistas portugueses) um grupo armado local terá tomado uma postura ofensiva, hostilizando a população e estendendo a sua operação para lá da área a que tinha sido circunscrito. Tal levou o Comando da operação de capacetes azuis a recorrer, mais uma vez, ao uso da força por meio do emprego da sua QRF de militares lusos.

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Forças portuguesas foram projectadas por via aérea, com um destacamento avançado, assim como por via terrestre, que implicou um trajecto de mais de 600 km, que dado as condições meteorológicas e do terreno, se traduziu num deslocamento de três dias.

"A passagem em itinerários estreitos, sobre sucessivos cursos de água em que as pontes são improvisadas e frágeis face à tipologia de viaturas da força, como são o caso das Viaturas Blindadas Pandur 8x8, exigiu das guarnições um cuidado redobrado e muitas vezes terem de lidar com imprevistos de vária ordem." - EMGFA

A cerca de 20 quilómetros de Bocaranga, em Yade, no dia 26 de Setembro, foi observado, com recurso a drones Raven do exército, assim como helicópteros da MINUSCA, a fuga precipitada de vários elementos armados, pertencentes ao grupo armado opositor. Num dos movimentos subsequentes da força portuguesa realizado de forma a garantir a segurança das populações, uma das colunas foi emboscada.

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Um engenho explosivo deflagrou à frente da viatura HMMVW ((High Mobility Multipurpose Wheeled Vehicle) que liderava a formação, acompanhado logo em seguida por fogo de armas ligeiras e da devida resposta lusa, que prontamente retornou o fogo ao inimigo. A força portuguesa empenhou as suas Pandur II, inclusive a versão armada com um "Remote Weapon System", que permite o uso remoto da arma principal, uma Browning 12.7 (.50).

"É observável pelas imagens o momento em que um engenho explosivo é deflagrado (coluna de fumo) à frente da viatura testa, acompanhado de fogo de armas ligeiras sobre a coluna. Verifica-se que esta aumenta a velocidade para sair da zona perigosa, ao mesmo tempo que responde ao fogo com as suas armas de bordo, em estreita coordenação com a aeronave que se mantinha em sobreapoio." - EMGFA

No decorrer da operação, "a força deslocou-se à região onde tinha sido identificado positivamente pelos meios aéreos a presença de elementos do grupo armado. Nessa região, parte da força apeou, em condições de contacto iminente", com a finalidade de garantir que no local não mais se encontravam forças hostis "não autorizadas".

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"Nos trabalhos subsequentes de recolha de indícios, foram identificados uniformes militares com a identificação objectiva do grupo armado, equipamentos de comunicações e estupefacientes. É observável que o grupo armado, numa manobra de decepção, usa material do UNHCR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados). A operação contou sempre com o apoio aéreo dos meios da MINUSCA que tinham também a bordo militares portugueses."

As operações contaram com o empenho de toda a tipologia de viaturas blindadas portuguesas ali presentes, incluindo Pandur´s II, Pandur´s II RWS, de recuperação e ambulância, assim como dos blindados HMMWV. Algumas destas viaturas terão sido atingidas e, por consequência, danificadas.

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Esta é a 6ª Força Nacional Destacada neste teatro de operações, sendo o actual contingente composto por 180 militares, maioritariamente tropas especiais Paraquedistas do Exército Português, integrando ainda militares de outras unidades do Exército e Controladores Aéreos Avançados da Força Aérea. Desde 2017, todas as FND´s portuguesas estiveram envolvidas em combates e/ou hostilidades na RCA.

A RCA caiu no caos e na violência em 2013, depois do derrube do ex-Presidente François Bozizé por grupos armados juntos na Séléka, o que suscitou a oposição de outras milícias, agrupadas sob a designação anti-Balaka.

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O Governo centro-africano controla cerca de um quinto do território. O resto é dividido por mais de 15 milícias que procuram obter dinheiro através de raptos, extorsão, bloqueio de vias de comunicação, recursos minerais (diamantes e ouro, entre outros), roubo de gado e abate de elefantes para venda de marfim.

Um acordo de paz foi assinado em Cartum, capital do Sudão, no início de Fevereiro. Um mês mais tarde, as partes entenderam-se sobre um governo inclusivo, no âmbito do processo de paz.

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Portugal está presente na RCA desde o início de 2017, no quadro da missão das Nações Unidas,cujo 2.º comandante é o major-general Marcos Serronha, onde está a 6.ª Força Nacional Destacada (FND), e militares na Missão Europeia de Treino Militar-República Centro-Africana, cujo 2.º comandante é o coronel Hilário Peixeiro.

A 6.ª FND, que tem a função de Força de Reacção Rápida, integra 180 militares, na sua maioria paraquedistas, pertencendo 177 ao Exército e três à Força Aérea. Na RCA estão também oito elementos da Polícia de Segurança Pública.

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